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Thor
 

Thor

Por: Inês Gens Mendes

Duas semanas antes do início da rodagem de Thor foi pedido ao protagonista Chris Hemsworth que metesse travão no treino físico. É que se até ali havia dúvidas de que seria possível encontrar alguém que encaixasse na perfeição na imagem do deus do trovão, elas desvaneceram-se com o aumentar dos músculos do actor. E o fato preparado pela produção para a personagem era prova disso…estava literalmente a rebentar pelas costuras.

A nossa análise começa assim não porque é uma mulher que a assina mas porque uma das coisas que mais saltam à vista na presença no cinema deste herói da Marvel é que o actor que lhe dá corpo não podia ter sido feito mais à medida para o papel.

No filme de Kenneth Branagh recupera-se a figura da mitologia nórdica que o magnata Stan Lee juntou à sua lista de heróis em 1962 e, tal como na maioria dos filmes da Marvel, faz-se um esforço para que Thor não agrade apenas aos fãs da BD, mas também aos restantes e a um público feminino que, norma geral, não se sente tão atraído por estas andanças.

A história começa com o protagonista a ser banido do reino divino de Asgard para a Terra pelo próprio pai, depois de ter levado a sua arrogância e a sua sede de poder até extremos intoleráveis. Uma vez no planeta azul, Thor vê-se despojado dos seus poderes e só os conseguirá recuperar quando se mostrar merecedor deles e conseguir erguer de novo o seu instrumento de luta, o martelo Mjolnir.

A cientista Natalie Portman surge como uma personagem crucial no processo de redenção do herói, com mais importância no filme do que lhe é dada na BD original. Pelo meio o irmão invejoso de Thor, Loki (Tom Hiddleston), surge como a maior dor de cabeça a combater.

Kenneth Branagh é uma escolha improvável para a cadeira de realizador mas não inocente, mostrando-se competente num mundo que à partida não seria a sua praia. Mas a verdade é que os tons shakespearianos que o cineasta trabalhou em Henrique V e em Hamlet não estão assim tão distantes dos que existem neste drama familiar dos deuses.

É visível a dificuldade em fazer resultar todos os saltos entre a Terra, Asgard e o reino dos Gigantes de Gelo, os três cenários em que o filme decorre. O acelerado vaivém poderá deixar o espectador com vontade de ver mais meia hora de filme, numa cadência mais lenta.

Mas, saltos à parte, Thor deixa espaço à explicação do background das personagens, imprime o ritmo e as doses de aventuras necessárias, constrói uma boa história de amor e introduz, nos momentos certos, eficazes pitadas de humor. Ficamos para ver se ganha a corrida ao prémio de melhor blockbuster da temporada. Para já, parte na frente.


Para… O menino, a menina e o fã da banda desenhada

O melhor: O equilíbrio de um filme que podia ser para um nicho mas consegue agradar às massas

O pior: Tantas linhas narrativas em paralelo podem cansar o espectador

 

Um drama sobre uma estrela (cadente) da música country que fragilizada após uma reabilitação vê-se forçada a alcançar novamente o sucesso.

T.O.: 'Thor' • Realização: Kenneth Branagh. • Interpretação: Chris Hemsworth, Natalie Portman, Anthony Hopkins, Tom Hiddleston, Stellan Skarsgård, Rene Russo, Idris Elba. • Género: Fantástico. • Duração: 114 min. •  Distribuição: Zon Lusomundo.

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